Chegando no Egito: algumas informações importantes e pitorescas

Trivialidades úteis para uma viagem sem surpresas.

A decisão foi tomada: vamos para o Egito !!

Como somos professores, só podemos viajar nas férias escolares: janeiro e julho (na verdade, janeiro é recesso escolar, e não férias, mas…), o que acaba pesando em nosso bolso. Cansamos de ver ofertas de voos e hospedagem pela metade do preço em maio, setembro, ai ai….

A melhor época para visitar o Egito é no inverno, de outubro a fevereiro, quando as temperaturas são amenas. Pegamos por volta de quinze graus durante o dia e nove graus durante a noite, em média. Sim, é surpreendentemente frio, a maioria dos viajantes ( e eu me incluo) pensa que por ser deserto é quente o ano todo e leva as roupas erradas. Não vá no verão, segundo relatos é ESCALDANTE !! Março é época das tempestades de areia que, segundo os locais, são bem desagradáveis, mesmo na cidade.

Reservamos um vôo da British Airways, com uma escala de dez horas em Londres na ida e na volta. Por incrível que pareça, se fossemos pela Ethiopian Airlaines sairia três mil reais a mais !!

Fizemos uma pesquisa e resolvemos adotar uma estratégia que já haviamos utilizado na Grécia: comprar um pacote com vôo e hospedagem no Cairo, que sai, em média, 30 % mais barato. Nossos planos eram de fazer o cruzeiro pelo Rio Nilo de Asuan até Luxor, mas deixarmos as malas grandes no hotel no Cairo.

Tinhamos uma única exigência: o hotel tinha que ser de frente para as pirâmides !! Encontramos um hotel pequeno, mas muito aconchegante, exatamente do outro lado da rua da entrada do sitio arqueológico das pirâmides, em Gizé.

Gizé é uma espécie de suburbio, que fica há cerca de uma hora de carro do Cairo. Na verdade, existem muitos pequenos hotéis em Gizé, todos de frente para as pirâmides. Também do outro lado da rua ficava o local onde ocorriam as apresentações do Show de Luz e Som das Grandes Pirâmides, nós nem precisamos pagar, viamos todas as noites do restaurante do nosso hotel.

Uma coisa que chama a atenção no Egito é a presença ostensiva de policiamento armado. Para chegarmos ao local onde ficavam os hotéis e a entrada para as pirâmides tínhamos que passar por um posto policial, informarmos que eramos turistas e onde iríamos (na verdade o motorista que estava nos levando que dava essas informações, uma vez que a maioria dos policiais só fala árabe). Durante as apresentações do Show de Luz e Som o local ficava cheio de carros de polícia e policiais em ronda.

Mas pulamos um passo importante: a imigração no Egito. Por via das dúvidas, contratamos um serviço de auxílio à imigração no site de viagem. Ao chegarmos, havia um despachante dentro do portão do desembarque nos esperando. Providenciou nossos vistos: é necessário comprarmos por US$ 25,00 uma espécie de adesivo, que corresponde ao visto, que é colado no passaporte e carimbado ao passarmos pela Imigração. O nosso acompanhante conversou em árabe com o oficial da Imigração, informando nosso destino e tempo de estadia. Mas outro incidente ocorreu: após passarmos pela Imigração, ao sairmos do setor, alguns policiais pegaram nossos passaportes e ficaram conversando em árabe. Nesse momento, nosso acompanhante conversou com eles, que, finalmente, liberaram nossos passaportes. Confesso que fiquei bem feliz de termos contratado o serviço !!

Não use o Roaming de seu celular, sai muito caro. Compre um chip no aeroporto, pagamos US$ 12,00 por dez giga de dados. Tem quiosques de várias empresas de dados, abertos 24 horas.

Um costume que conheceríamos bem durante nossa estadia é o costume da ‘propina’, na verdade a nossa gorjeta. Todos esperam que seja dada uma gorjeta: no banheiro, no restaurante, no hotel, para o motorista, o guia, no cruzeiro. Incomoda um pouco esse costume, mas é preciso lembrar que, atualmente, o Egito é um país com uma população pobre, que vive do turismo, no caso do Cairo. Acabamos trocando dinheiro: eles aceitam dólares ou euros (um dólar é bem recebido) ou libras egípcias ( notas de cinco libras também caem bem). Cada dólar valia, em janeiro de 2020, dezesseis libras egípcias, um real valia por volta de quatro libras. A maioria dos lugares não aceita pagamento em cartão ou dólar ou euro, melhor providenciar libras egípcias assim que chegar ao país. Nos hotéis eles fazem o câmbio, e são bastante honestos. Descobrimos que sacar dinheiro no ATM em libras egípcias sai mais barato: tem menos taxas e melhor cotação.

Nem pense em alugar automóvel no Egito !! Primeiro, como eu já descrevi, passamos por muitos pontos de controle policial, sendo que poucos falam inglês. Mas. o mais importante: o transito é o CAOS !! Em Gizé, os carros dividem as ruas com os Tuc-tucs (aquelas motos que possuem uma cobertura, que adoram andar na contra-mão), camelos, carruagens, cavalos, alguns carneiros e MUITOS PEDESTRES. Detalhe importante: não existem semáforos (vimos apenas alguns no centro do Cairo). Os pedestres andam normalmente entre os automóveis, imaginem gente andando no meio dos carros na Marginal Pinheiros em horário do rush !!! Durante uma viagem para Abydos, o motorista andou um tempão pela contra-mão, na esquerda (era uma estrada bem ampla, imaginem a Via Dutra), até encontrar a saída mais próxima, ao invés de ir andando em sua mão até o retorno. Ainda bem que eu estava dormindo (Rodolfo fez questão de me contar depois).

Você pode usar o Uber na cidade, mas os motoristas não falam inglês nem qualquer outra lingua que não seja árabe. Sai bem mais barato, porque o sistema já informa o preço final. Se você contratar um táxi nunca sabe qual será o preço final: eles deveriam ligar o taxímetro, mas raramente fazem isso. Ah, as placas dos automóveis tem algarismos em árabe !! Ué, mas nossos algarismos não são arábicos ? Bem, aprendemos que são uma adaptação aos algarismos arábicos originais, O um e o nove são parecidos, sete é um V de cabeça para baixo e o oito um V normal. O quatro é um E em letra manuscrita. Precisa saber um pouquinho prá reconhecer seu UBer.

As lojas de papiros, de perfumes, de esculturas, de temperos ou de algodão (sim, seu guia vai levá-los nelas), oferecem sempre chá (tenho minhas dúvidas se lavam os copos). Os vendedores das pequenas lojas nos diferentes sitios arqueológicos são bastante agressivos: quase te puxam pra dentro da loja !! Fale um NO com bastante ênfase, ou ignore sem fazer contato visual (nunca responda de onde você veio, se não quiser ter dor de cabeça). Em Karnak, um vendedor andou atrás da gente um tempão na fila para entrada, acabou nos ‘presenteando’ com um lenço cada um e nos pediu para passar na saída. Na saída estávamos indo embora quando ouvimos o vendedor nos chamando para devolvermos os ‘presentes’, uma vez que não fomos à sua loja.

Nunca pague o primeiro preço que pedirem !! A pechincha é uma instituição árabe. Eu, que não tenho muito jeito (Rodolfo é craque nisso) consegui comprar pequenos frascos de perfume de US$ 5,00 por US$ 3,00. Acho que se fosse melhor negociadora pagaria menos, mas fiquei muito feliz !!

Segundo Rodolfo, nunca faça uma contra-proposta, porque isso já estabelece o mínimo que você vai pagar. Numa escultura ele pagou US$ 60,00 quando o preço inicial era US$ 300,00.

Acho que você já tem informações suficientes para começar seu planejamento. Nos próximos posts vamos falar do que visitar, acreditem, tem muito o que ver no Egito ( e a gente nem viu tudo !!).

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